Sao Paulo / SP - terça-feira, 02 de setembro de 2014

Conhecendo a Hepatologia

Conhecendo as especialidades que tratam doenças do fígado


 

 

Saiba a diferença na formação de um hepatologista, gastroenterologista ou infectologista para escolher o medico mais qualificado para tratar do seu caso, lendo o texto abaixo adaptado pela ONG Transpatica e reproduzido na íntegra.

(http://www.transpatica.org.br/noticia.asp?cod_noticia=570) 

 

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"Se você está lendo este artigo, é possível que você ou uma pessoa querida tenham sido diagnosticados com hepatite ou algum outro tipo de doença hepática. Talvez você esteja satisfeito com seu médico, ou talvez você sente que você poderia se sentir melhor – ou talvez ainda não tenha procurado um médico para cuidar de você -. Em qualquer um dos casos, o objetivo de todo paciente deveria ser o de receber a melhor assistência médica disponível. Embora todo indivíduo espere que seu médico esteja fornecendo a informação e tratamento mais preciso e atualizado, é responsabilidade do paciente fazer mais do que simplesmente esperar.


Como paciente você pode e deve pesquisar o nível de perícia e credenciais de um médico antes de marcar uma consulta. Embora isto leve algum tempo e requer algum esforço, não há dúvida de que o trabalho realmente vale a pena. Uma vez que o especialista -certo- tenha sido encontrado, você ficará grato de haver ampliado suas perspectivas de tratamento e bem-estar. Você poderá então trilhar a estrada da recuperação sentindo-se confiante na habilidade do seu médico, e concentrando-se em se sentir melhor. Em longo prazo, este é de fato o caminho mais rápido a seguir.


Quais são os médicos que tratam de doença hepática?


Existem diversos especialistas que avaliam e tratam pessoas com distúrbios do fígado. Primeiro há o médico clínico. Ele frequentemente é o primeiro a descobrir que há alguma coisa errada com o fígado. A partir dali, o paciente é rotineiramente encaminhado a um especialista – seja um gastroenterologista, um hepatologista ou um especialista em doenças infecciosas. Qual é então a diferença entre cada um destes especialistas?


O gastroenterologista


Um gastroenterologista é um médico que se especializou realizando treinamento no tratamento de distúrbios digestivos. Estes distúrbios incluem problemas de esôfago, estômago, intestinos, pâncreas, bexiga e fígado. Durante um período de dois a três anos de residência em gastroenterologia, alguns médicos tem pouco contato com pacientes portadores de doenças no fígado. Por outro lado, alguns gastroenterologistas têm uma grande vivência com este tipo de pacientes. Logo, o nível de experiência e perícia entre gastroenterologistas em diagnosticar e tratar doenças hepáticas varia grandemente. É importante para você, como paciente, determinar o grau de experiência do gastroenterologista escolhido em lidar com doenças hepáticas, antes de estabelecer um relacionamento médico em longo prazo.


O hepatologista


Um hepatologista é o tipo de médico mais experiente e qualificado para tratar pessoas com doença hepática. Existem programas especializados de treinamento para médicos que estão focados somente em doenças hepáticas, cuja duração abrange de um a dois anos. Durante a especialização em hepatologia, um médico recebe treinamento intensivo em diagnóstico e tratamento de doenças do fígado. O treinamento desta especialidade inclui amplo contato com todas as doenças hepáticas, incluindo as que são raras e/ou vistas com pouca freqüência.



Um médico clínico que completa com sucesso a especialização em hepatologia é considerado um hepatologista. A maioria dos hepatologistas, embora não todos eles, são também gastroenterologistas. Estes médicos completaram com êxito ambas as residências, em hepatologia e em gastroenterologia. Às vezes, gastroenterologistas que não completaram a especialização em hepatologia centram sua prática médica no tratamento de pessoas com doenças no fígado. Embora estes médicos não tenham um diploma separado no campo de doença hepática, eles podem também ser considerados hepatologistas.


Se você é um paciente com doença no fígado, existem várias razões para você escolher um hepatologista. Primeiro você está virtualmente garantido de que um hepatologista terá experiência substancial no diagnóstico e tratamento do leque completo de doenças hepáticas. Além disso, os hepatologistas são normalmente os primeiros a aprender sobre as terapias mais atualizadas, tanto as aprovadas pelo FDA como as experimentais, e a incorporá-las na sua prática médica. Todavia, mesmo você escolhendo visitar um gastroenterologista ou um hepatologista, o importante é você achar um médico que deseje trabalhar com você como sócio igualitário no processo de cura.


Especialistas em doenças infecciosas


Um especialista em doenças infecciosas é um médico que completou sua especialização em doenças infecciosas de todos os tipos. Muitos especialistas em doenças infecciosas tratam de pessoas com doenças no fígado causadas por infecções virais, tais como hepatite B e C. Durante um período de dois a três anos de treinamento em doenças infecciosas, alguns médicos da especialidade têm pouco contato com pacientes portadores de hepatite viral. Por outro lado, outros especialistas têm uma grande vivência com relação a pacientes portadores de hepatite viral. 


Como acontece com os gastroenterologistas, em esta especialidade o nível de habilidade em diagnosticar e tratar hepatites virais varia grandemente, logo cabe a você, o paciente, determinar o nível de experiência do médico infectologista em tratar hepatite B ou C, prévio a estabelecer um relacionamento de longa duração com este tipo de médico. Deve ser destacado que os médicos infectologistas não tem habilidade especial alguma em tratar de doenças hepáticas que não sejam causadas por infecções – como é o caso de doença hepática induzida por álcool, fígado gorduroso ou hepatite auto-imune.


Médicos acadêmicos versus médicos particulares


Quando procurando por um médico, você deve ficar ciente das diferenças entre médicos acadêmicos e particulares. Cada tipo de médico tem suas vantagens e desvantagens, que você deve avaliar cuidadosamente como parte do processo de escolher seu médico.


Um médico acadêmico é um profissional que faz parte do corpo docente de uma faculdade ou hospital. Frequentemente, embora não sempre, o hospital está associado com uma escola médica. Estes médicos despendem uma parte do seu tempo ensinando a estudantes de medicina e médicos em treinamento na sua especialidade. Adicionalmente, alguns destes médicos acadêmicos dedicam uma porcentagem considerável do seu tempo a conduzir pesquisas. Embora parte da pesquisa é realizada em laboratório, outra parte é desenvolvida no contexto de triagens clínicas envolvendo pacientes.


Médicos acadêmicos possuem títulos tais como professor assistente, professor associado ou professor titular. Este título é baseado em uma série de fatores, incluindo – mas não limitado a – por quanto tempo eles têm exercido sua especialidade, sua capacidade de liderança, suas habilidades de ensino e a contribuição pessoal feita por eles à sua especialidade. Ninguém deveria nunca pensar que as qualificações de um determinado médico acadêmico são superiores as de um determinado médico particular, simplesmente baseado no título do médico ou seu emprego em um hospital.


Quando você está marcando uma consulta com um médico que faz parte da equipe de um hospital, é importante que você questione se você estará vendo o médico em uma clínica ou em algum tipo de consulta particular, e se você consultará o médico que você está solicitando – por cujas credenciais profissionais você fez a escolha em primeiro lugar – ou se você será atendido por um médico associado ou outro membro da equipe, tanto para a primeira consulta quanto no acompanhamento posterior.


Finalmente, desde que um médico acadêmico trabalha basicamente em um hospital, suas horas de consultório podem ser limitadas. O resultado deste horário limitado é que você tipicamente poderá marcar consulta com várias semanas, se não meses de antecedência, e somente em horários específicos que raramente incluem fins de semana ou tarde da noite.


Um médico privado é tipicamente um profissional que focaliza sua carreira no atendimento de pacientes. Usualmente, mas não sempre, médicos particulares cuidam de pessoas que são admitidas em hospitais locais, nas suas comunidades. Alguns médicos particulares podem também ser filiados a uma instituição acadêmica, onde eles também tratam de pacientes e ocasionalmente dão aulas.


Por outro lado, alguns médicos particulares não atendem pacientes para consultas em ambiente hospitalar, mas somente nos seus consultórios. Se o médico trabalha com uma equipe, você deve perguntar se você será consultado pelo mesmo médico em cada visita.


Médicos particulares tem tipicamente, mas nem sempre, horários de consultório mais flexíveis do que médicos que fazem parte da equipe de um hospital. Os horários de disponibilidade variam consideravelmente de médico para médico. O paciente poderá obter uma consulta com um hepatologista altamente qualificado em consultório particular mais rapidamente do que com um hepatologista acadêmico de nível similar.


Você não precisa necessariamente ser tratado em uma instituição acadêmica para poder participar de tratamento experimental com uma nova droga. Médicos particulares experientes conduzem estudos clínicos como parte de sua prática da mesma maneira que o faria um acadêmico. Esta é uma área importante sobre a que cabe perguntar antes de marcar uma consulta com o médico. É importante pesquisar cuidadosamente as credencias do médico conduzindo o estudo e se o dito estudo é particular ou em uma instituição acadêmica.


Finalmente, muitas pessoas com doença hepática assumem erroneamente que, se eles são tratados por um médico filiado a um centro de transplantes, isto aumentará automaticamente suas chances de obter um novo fígado caso isto seja necessário. Isto é uma suposição errada, pois todas as pessoas estão sujeitas a regras, regulamentos e critérios idênticos para transplante de fígado, sem importar se o paciente está sendo tratado em hospital público ou consultório particular.


Em ambos casos, é crucial para você esclarecer se na 1ª visita e nas subseqüentes você será atendido pelo médico, ou uma enfermeira, um médico assistente ou algum outro doutor ligado à especialidade. Você deseja saber quem de fato está tratando de você, e se consultar diversas pessoas ligadas à especialidade é aceitável ou preferível para você.


Para muitos médicos, o procedimento padrão é conduzir a avaliação inicial do paciente. Mas muitas visitas posteriores, ligações telefônicas ou outros contatos com o paciente são realizados por um ou mais médicos da especialidade ou por um representante do médico – ex: enfermeira, assistente – Todavia, em outros consultórios, cada paciente é tratado pessoalmente pelo médico. Em tais circunstâncias, o próprio médico realizará o exame do paciente em todas as consultas, avaliará pessoalmente a resposta do paciente ao tratamento e tomará pessoalmente todas as decisões quanto ao mesmo. Em este tipo de prática o médico que você tiver escolhido, após pesquisar seu nível de perícia e experiência em doenças do fígado, será o indivíduo que estará tratando você. 


Seguro e planos de saúde

Como paciente você deve ficar ciente de que a maioria dos planos pagará a visita a um médico que não está incluído em seu plano se – e este é um importante “se” – o médico oferece serviços especiais ou únicos que nenhum outro médico do plano oferece.


Por exemplo, alguns especialistas em fígado possuem uma rica experiência em tratar pessoas com doença hepática que excede grandemente a de qualquer um dos médicos listado pelo plano, ou eles oferecem opções de tratamento que não estão disponíveis através de qualquer outro médico do plano. Em estas circunstâncias, uma carta solicitando ou mesmo uma ligação telefônica ao funcionário certo da seguradora explicando o dilema, poderá resultar em você ter cobertura garantida para consultar o especialista desejado.


Consultando o especialista


Agora que você já localizou um especialista, existem algumas dicas a seguir para ajudar a tornar a consulta o mais agradável e eficiente possível para você e para o médico. É normal ficar nervoso ao consultar um especialista, por causa de tanta e crucial informação que será fornecida durante a visita. É esperado que após a consulta inicial tenha finalizado, você não lembre de uma quantidade significativa do que o doutor tenha dito. Por isto, você deve tratar de ir à consulta com um familiar ou amigo próximo. Você deve levar uma lista de todas as questões que você deseja ter respondido durante a consulta. É correto fazer anotações breves enquanto o médico está falando e checar cada questão após ele ter respondido. Você pode realizar uma consulta inicial mais produtiva para o especialista levando cópia de qualquer registro anterior que você possa ter de um outro médico. Finalmente, você deve sempre levar ao médico uma lista de todas as medicações – incluindo as de venda livre, analgésicos, vitaminas, suplementos alimentares e/ou fitoterápicos – que você estiver ingerindo.


Procurando segundas opiniões


Se você não se sente confortável com a orientação que você recebeu de um especialista, é aconselhável procurar outra opinião. Certifique-se sempre, que a segunda opinião seja fornecida por um médico cujo conhecimento de doenças do fígado é superior, ou no mínimo igual ao do primeiro especialista consultado. Todavia, você como qualquer outro paciente, deve considerar a perspectiva de múltiplas opiniões. 


Em hipótese alguma, o objetivo do paciente pode ser perambular por opiniões diversas até ouvirem o diagnóstico ou prognóstico por ele desejado. Um jogo de esta natureza pode causar que uma doença séria seja negligenciada, não tratada ou tratada inapropriadamente. É natural que qualquer um de nós deseje ouvir que não há nada errado e que a biópsia do fígado e o tratamento não são necessários.


Em alguns casos, estas declarações podem de fato ser corretas; todavia, se o paciente tem consultado dois ou três especialistas de fígado bem conceituados, todos os quais concordam em que há algo errado, o paciente deve aceitar que tem uma doença crônica que pode requerer tratamento."


Fonte: Liver Health Today – Abril / Junho 2007


 


 

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Ao marcar consulta, lembre-se de perguntar se o médico possui residência médica ou título de especialista na área reconhecido pela Associação Médica Brasileira.